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Universidade Modelo

"Levantamento feito pela Universidade de São Paulo (USP) apontou a política de assistência estudantil da Universidade de Brasília (UnB) como a mais organizada e eficiente. Com cerca de R$1,7 milhão por ano, a universidade atende a 2,7 mil alunos de baixa renda, com auxílio financeiro, moradia, transporte no campus, atendimento médico e descontos em taxas e livros. O valor corresponde a 0,5% dos R$323 milhões recebidos pela UnB em 2004 e está muito aquém dos 4% proposto pela UNE em meio à Reforma Universitária. A pesquisa da USP foi motivada pela necessidade de modernizar a política de assistência da instituição. O que mais chamou a atenção do presidente da comissão encarregada de elaborar o novo modelo da instituição paulista, Vahan Agopyan, foi a organização da UnB no controle e administração dos recursos públicos. Para a decana de Assuntos Comunitários da UnB, Thérèse Hofmann, o segredo está também no processo de seleção socioeconômica dos alunos.
Os pedidos são analisados conforme critérios técnicos específicos, como renda familiar, local de origem, escolaridade dos pais, acesso a bens de consumo e até a existência de pessoas com doenças crônicas na família. A partir disso, os estudantes são classificados em grupo 1 (1.942 alunos) e grupo 2 (791 alunos). ""A seleção socioeconômica é feita justamente para garantir que os benefícios sejam destinados aos que realmente necessitam"", explica Thérèse. A UnB possui duas modalidades de bolsas: alimentação e permanência. Os estudantes que participam dos programas de assistência também contam com moradia, transporte, desconto de 10% na aquisição de livros da editora da universidade, redução no valor de taxas e acompanhamento médico e psicológico gratuito.
Apesar da admiração pelo sistema da UnB, o responsável pelo novo modelo de assistência estudantil da USP explica que seria praticamente impossível implantar um sistema semelhante na universidade paulista por ela ser multicampi, com unidades em todo o estado. ""Precisamos de um nível ainda maior de organização"", admite Agopyan.
A diretora de Desenvolvimento Social da UnB, Carmem Regina, afirma que as iniciativas são fundamentais para a formação dos estudantes de baixa renda. ""Em muitos casos, os alunos não têm onde morar e nem recursos para se alimentar"". No entanto, ela reconhece que os programas ainda são insuficientes para atender a demanda. ""Nossa ajuda é de segunda a sexta e, às vezes, eles encontram dificuldades para passar o fim de semana"", conta. Em meio às propostas de vincular o orçamento das federais à assistência estudantil, a decana de Assuntos Comunitários ressalta que todos os programas são financiados com recursos da universidade. ""Não recebemos nenhum tipo de subsídio específico para assistência. Este é o investimento que podemos fazer, levando em conta o orçamento da UnB"", conta Thérèse.
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