Ouça na íntegra a entrevista concedida pelo Presidente da ANGRAD - Prof. Antonio Freitas, na sede Nacional da ANGRAD, em 16/06/2009, ao Assessor de Comunicação da ANGRAD - Jorge Baraúna. Nela o Prof. Freitas revela expectativas, os assuntos principais que serão abordados, convidados e muito mais.
1- Jorge Baraúna: O que significa para ANGRAD realizar o XX ENANGRAD em Joinville, uma cidade com vocação para grandes eventos?
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A ANGRAD realiza eventos no Brasil todo, tendendo a cobrir todo o território nacional. Nós já estivemos na Bahia, no Maranhão e em Mato Grosso. Obviamente este é um momento especial para se fazer no sul do Brasil, especialmente em Joinville por ser uma região altamente industrializada, com indústrias que exportam, que geram divisas para o Brasil e que no momento estão sofrendo problemas ligados a crise internacional. Recentemente tivemos a fusão da Perdigão com a Sadia, temos a Weg exportando motores para todo o mundo. Então é o momento, mais que propício, para discutir questões de administração, especialmente aquelas voltadas para a indústria que serve no mercado doméstico, e nós temos a felicidade de ter um bastante grande, o que não acontece com os países asiáticos, que tem uma produção de qualidade mas que, com exceção da China e da Índia, são voltados unicamente para a exportação. O Brasil tem um grande mercado interno, mas o mercado externo é igualmente importante. Então esse é um momento especial para se fazer o ENANGRAD, que trata da melhoria dos cursos de administração e de formação de pessoal em administração voltado para todas as áreas do curso, inclusive para a exportação, numa região aonde temos as principais industrias exportadoras do Brasil, especialmente aquelas que são nacionais.
2 - Jorge Baraúna: “Universidade para Todos”: O tema do evento é para alguns uma utopia, para outros demagogia e para outros tantos esperança e luta. Qual o posicionamento da ANGRAD e o que se pode esperar em termos de discussões e ações sobre esse tema durante o XX ENANGRAD?
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A ANGRAD escolheu esse tema por ser um tema que é extremamente importante para gerar justiça social, na medida que pessoas mais educadas e com mais conhecimento tem maior probabilidade de empregabilidade e maior chance de não perder seu emprego. Obviamente as pessoas mais educadas, mais treinadas, ingressarão ou permanecerão em empresas mais competitivas internacionalmente, e hoje a competição é cada vez mais acirrada em função dos grandes e novos players internacionais como a China e a Índia. Então, a educação significa que teremos empresas cada vez mais preparadas para enfrentar o mercado internacional. A soma dessas empresas que competem internacionalmente é que tornam o Brasil um país mais competitivo, sendo que hoje o Brasil já é, possivelmente, a 8ª economia do mundo, eu digo possivelmente, porque dada à variação diária do câmbio e a freqüência que isto tem ocorrido, nós podemos ser 8ª, 9ª ou 10ª economia, mas somo uma economia bastante relevante em nível mundial. Por outro lado, em termos de educação, nós somos aproximadamente o 60º país. Portanto, há um descompasso grande entre a educação e o tamanho da economia e por que isso acontece? Acontece porque uma elite que ocupa as melhores posições nas empresas, são formadas nas escolas tradicionais que são: algumas privadas de excelência, algumas escolas comunitárias de excelência e nas públicas. Mas o Brasil ampliou muito o número DE escolas, tendo hoje cerca de 2.400 escolas ou Instituições de Ensino Superior que precisam melhorar o seu padrão acadêmico, e nós temos que ajudá-las, junto com o Governo em todos os seus níveis, de forma que isso chegue até a população. Esse descompasso entre a 8ª ou 10ª Economia e 60º na educação é inaceitável! Por outro lado, por que universidade para todos? Porque está na constituição do Brasil, isto é lei, a nossa lei Magna...TODOS TEM DIREITO A TER ACESSO A EDUCAÇÃO DE QUALIDADE E A SAÚDE. Ainda, além de estar na Lei Magna, faz parte do Plano Nacional de Educação e além de fazer parte desse Plano, o Brasil ratificou essa filosofia, no ano passado em Cartagena das Índias, conferindo o direito a todo cidadão, acesso à educação em todos os níveis independente do seu nível de renda, porque a grande evasão, que supera 60% no nível superior, ocorre porque este recebe pessoas que tem uma renda baixa, os ricos estudam nas escolas públicas e a maioria das pessoas que são pobres ou de classe média estudam nas escolas privadas e às vezes por situações de aperto familiar ou por razões econômicas, elas terminam abandonando o ensino superior. Então a grande evasão que nós temos, que é inaceitável, é simplesmente por questões financeiras. Hoje nós temos mais de 40% das vagas do ensino superior não preenchidas e temos uma evasão superior a 60%. Dessa forma, nós não estamos claramente cumprindo a lei maior do país, que é a constituição. Esta é uma bandeira que nós estamos empunhando porque essa é única forma de você realmente promover justiça social e tornar o Brasil um país mais competitivo para não só ocupar a 8ª posição, que é muito relevante, que é assemelhada a da França e da Itália, mas quem sabe até melhorar essa posição em função da riqueza nacional, das possibilidades que existem num país continental com quase 200 milhões de habitantes. Nós tomamos essa bandeira, como sendo a bandeira que está esculpida na Lei Magna do nosso País.
3- Jorge Baraúna: Este ano o ENANGRAD englobará vários assuntos de interesse de dirigentes, coordenadores, professores e alunos. Quais o Sr. destacaria?
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Eu destaco inicialmente o Plano Nacional de Educação que vai viger entre os anos de 2011 e 2020, em todos os níveis da educação. E obviamente o grande problema da educação superior no Brasil e dos cursos de administração do Brasil é a qualidade do alunado que se recebe das escolas públicas. Não é por culpa dos alunos, mas simplesmente porque não tem sido dado o cuidado com o ensino básico desse país. Então um dos pontos que eu gostaria de levantar é que nós estaremos discutindo o Plano nacional de Educação com o Senador Flavio Arns e a Deputada Maria do Socorro que são respectivamente Presidentes da Câmara de Educação do Senado e da Câmara dos Deputados de Brasília. Este é um assunto que eu acho extremamente relevante. Outro assunto que nós vamos discutir é a estratégia de expansão do ensino superior com qualidade. Hoje no Brasil , o ensino superior esta expandindo bastante, porém com uma série de problemas, inclusive do financiamento para as pessoas mais carentes, isto será debatido no nosso ENANGRAD. Um outro assunto que nós colocaremos em pauta é a questão da avaliação das IES, utilizando o IGC e outros elementos que o MEC tem utilizado para avaliar as escolas que termina gerando um rankeamento, influenciando assim a captação de alunos. Estes são exemplos de assuntos que estaremos discutindo no ENANGRAD, na presença de diversos Conselheiros do Conselho Nacional de Educação, os já citados Senador Flávio Arns e Deputada Maria do Socorro, reitores como Roberto Cláudio frota Bezerra e muitas pessoas ligadas às Escolas Privadas, às Escolas Públicas e principalmente ao MEC.
Eu creio que é extremamente importante a participação de Coordenadores e de Dirigentes de Escolas para poder questionar e aprender sobre as novas regras que o MEC está implantando no País, inclusive com relação ao novo sistema seletivo que é o ENEM, revigorado e atualizado pelo o governo federal para substituir o vestibular, não de uma forma obrigatória, mas de uma forma induzida como já ocorre nos Estados Unidos e em outros países. Nos Estados Unidos temos uma prova só, chamada SAT (Scholastic Assessment Test), que é um exame nacional que as escolas complementam, no caso americano, com a apresentação de professores, com exame de histórico escolar, etc... Mas o ENEM, eu acho, do jeito que está sendo redesenhado ele realmente vai cumprir um papel muito importante e integrador, porque um aluno excepcional de Roraima, por exemplo, poderá ter acesso a estudar na USP, UFRS na UFRJ. Um aluno do Rio de Janeiro poderá estudar na Bahia, ou seja, o ENEM do jeito que está sendo proposto, se ele for bem utilizado, poderá vir a servir de mais um fator de integração nacional.
4- Jorge Baraúna: Como será a participação de órgãos como o MEC, CNE, SESu, Inep e CFA no evento?
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A participação será bastante intensa, especialmente do MEC, do CNE e do CFA. No caso do MEC, nós estaremos discutindo eventualmente a adaptação do Sistema Educacional Brasileiro, os programas do processo de Bolonha, como fazem já alguns países da América Latina. O CNE deverá debater todas as mudanças que estão ocorrendo no cenário da educação do Brasil, criando novas regras, inclusive a questão do reconhecimento e renovação de reconhecimento de Universidades. E o CFA, um dos temas que eu acho relevante, é a questão da aceitação do ensino à distância e dos cursos de tecnólogos que não tem sido aceitos para o registro profissional. Então esses serão assuntos que serão intensamente debatidos no seminário MEC, ANGRAD, CNE e CFA, com o Presidente do CFA, com a Secretaria de Ensino Superior do MEC e do Presidente do Conselho Nacional de Educação que com certeza trará grandes novidades para Diretores, Coordenadores e Professores de Escolas Públicas e Privadas. Portanto, eu conto com a presença de vocês todos em Joinville, num momento assim especial, onde a economia brasileira tem resistido de forma brava as intempéries internacionais. O que eu espero, já no segundo semestre, principalmente no começo do próximo ano que nós estejamos numa situação de alta e para isso temos que nos preparar com antecedência. Então até lá, e um abraço e recomendações a todos vocês. Muito obrigado!
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