Os 90 empresários, gestores e líderes da sociedade civil que se reúnem nesta terça-feira (26) no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social devem receber um pedido especial da presidente Dilma Rousseff: ajudar a contornar a falta de mão de obra qualificada no país, um dos maiores gargalos para os investimentos em infraestrutura.
No segundo encontro deste ano do “Conselhão”, como é conhecido o fórum consultivo da Presidência criado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o apelo será pelo apoio dos empresários para bancar 25 mil bolsas de estudo de graduação, pós-graduação, doutorado e pós-doutorado para estudantes brasileiros em universidades de ponta no exterior.
O governo já anunciou que irá bancar outras 75 mil bolsas, mas espera a colaboração da iniciativa privada para completar a meta de 100 mil alunos beneficiados nos próximos quatro anos. Entre as áreas contempladas, será dada prioridade para engenharia, matemática, biologia, física, química e de ciências médicas.
Além de Dilma, o pedido deve ser reforçado pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, que apresentará com mais detalhes o programa, chamado Ciência Sem Fronteiras.
A preferência será para alunos bem classificados no ProUni (Programa Universidade para Todos), no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e no Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes).
A ideia é dar um impulso na carreira e na projeção profissional de estudantes de baixa renda.
No total, o investimento do governo para as bolsas deve ficar entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões nos próximos anos. Caberá ao Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) selecionar os alunos e colocar o plano em prática.
Reunião
Na reunião do Conselhão, o ministro Moreira Franco, que dirige o órgão, deverá ainda mostrar sugestões do fórum para o Plano Plurianual, lei que define as diretrizes básicas para gastos e investimentos do governo nos próximos quatro anos.
Ele também deve convidar os conselheiros para um seminário sobre a reforma tributária neste ano, além do lançamento de um estudo sobre a nova classe média, já em agosto.
Já o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também convidado para falar na reunião, deverá fazer uma exposição das ações do governo diante de uma nova crise econômica internacional, que pode ser causada pelo estouro da dívida pública em países da Europa e nos Estados Unidos.
A reunião, no Palácio do Planalto, será encerrada com um discurso de Dilma.