Cerca de 45% dos jovens que prestarão vestibular no fim do ano ainda não escolheram a profissão no primeiro semestre. Essa é a conclusão de uma pesquisa da Universidade Paulista Anhembi-Morumbi, que entrevistou quase 20 mil estudantes no primeiro semestre. Segundo o coordenador da pesquisa, Luciano Romero, a sondagem comprovou uma suspeita que eles já tinham. "Não há um preparo dentro das escolas hoje capaz de orientar corretamente os jovens na escolha profissional".
A opinião da família também pesa para o jovem. Seis mil estudantes (19%) se preocupam com a opinião dos pais. "É uma atitude normal, mas perigosa", afirma o coordenador. Segundo ele, nem sempre os parentes têm uma visão esclarecida sobre novos nichos de mercado, logo, acabam influenciando de maneira equivocada seus filhos. "Lembro de um rapaz que disse ao pai que gostaria de trabalhar em programação de videogame". Segundo o coordenador, essa é uma área que está recebendo muito investimento. "Mas o pai respondeu que ele já passava tempo demais na frente da tevê", lamenta Romano. A metade dos entrevistados também afirmou que a opinião de quem já atua no mercado pesa na decisão e a remuneração também.
"É natural que o jovem busque referências no mercado para poder decidir que caminho deseja seguir. Quando ele entra em contato com profissionais, acaba por conhecer melhor o perfil da área. E a remuneração também é importante porque não deixa de ser o reconhecimento pelo trabalho", analisa o coordenador do curso de pedagogia da Universidade de Brasília, Cleiton Gontígio.
Na avaliação dos estudantes entrevistados, a opinião com menos importância é a dos universitários. A aluna do terceiro ano do Centro Educacional do Setor Leste Janaína Leite Rodrigues, 17 anos, concorda: "Acredito que os estudantes universitários não têm a mesma seriedade do que os profissionais que já estão no mercado. Por isso não recorreu a eles", justifica . Ela quer cursar direito.
O reconhecimento da faculdade pelo Ministério da Educação também faz a diferença. Um total de 12.110 entrevistados apontou o fato como importante, segundo a pesquisa da Anhembi-Morumbi. Já 15.286 jovens se mostraram mais preocupados com o reconhecimento do mercado. Na sequência, está o preço da mensalidade, com 8.088 pessoas, e por último está o envolvimento da instituição com o esporte.
Ainda segundo a pesquisa, mais de 12 mil pessoas jovens responderam que não sabem bem como funciona o mercado. Já 7.432 jovens apontaram o dia a dia da profissão como o principal ponto nebuloso. "Constata-se que a área onde o jovem mais tem interesse é onde ele tem menos informação", analisa o coordenador da pesquisa. Outra grande dúvida são as especializações na carreira.
A pesquisa constatou que os alunos de ensino médio desejam visitar as universidades antes do vestibular. São 15.068 entrevistados que manifestaram esse tipo de interesse. Na sequência, 11.956 jovens gostariam de ter aulas demonstrativas do curso pretendido. Metade dos alunos também apoia palestras e feiras de profissões para tomar a decisão.
Projeto de lei
Tramita na Câmara dos Deputados projeto de Lei, de autoria de José Airton (PT/CE) que torna obrigatório o acompanhamento pedagógico e vocacional aos alunos do ensino médio. "Eu me baseei muito na minha própria experiência. Quando fiz vestibular, prestei para medicina, administração de empresa e engenharia. Ou seja, uma coisa não tinha nada a ver com a outra. E no fim das contas, o jovem acaba desperdiçando tempo e energia por essa falta de orientação", conta. O projeto está sendo analisado na Comissão de Finanças e Tributação, e seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça antes de ser analisado pelo plenário.