O ministro da Educação Fernando Haddad deve ir nesta quinta-feira, 3 de novembro, ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região, em Recife (PE), para recorrer da decisão da Justiça Federal cearense que anulou 13 questões das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011. O objetivo de Haddad é evitar a anulação parcial do exame para todos os estudantes do país que se submeteram à prova nos dias 22 e 23 de outubro.
Para o ministro, o ideal é que o exame seja reaplicado aos 639 alunos do Colégio Christus, de Fortaleza (Ceará), que tiveram acesso às questões. Segundo o governo, a anulação de 13 perguntas das 180 contidas no Enem prejudicará a grande maioria dos estudantes que fizeram o exame. Segundo especialistas, se as questões forem de fato anuladas, o valor de cada item terá de ser reavaliado para a formulação da nota final.
O Ministério Público Federal do Ceará pediu à Justiça a anulação das questões depois da constatação de que alunos tiveram acesso antecipado a elas. Os itens estavam em uma apostila distribuída pela escola semanas antes da aplicação do Enem e vazaram da fase de pré-testes do exame, da qual a escola participou em outubro de 2010.
O pré-teste é feito pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), para averiguar se as questões em análise são válidas e qual é o grau de dificuldade de cada uma. Os cadernos de questões do pré-teste deveriam ter sido devolvidos após a aplicação e incinerados pelo Inep.
O MEC confirmou que 13 questões que estavam na apostila distribuída pelo colégio cearense foram copiadas de dois dos 32 cadernos de pré-teste do Enem aplicado no ano passado a 91 alunos da escola. Em entrevista ao Terra, Maria Inês Fini, uma das idealizadoras do Enem, disse que questões avaliadas em pré-teste não poderiam ser usadas no exame no ano seguinte, pois pegam uma mesma geração de alunos.