Em quatro anos, governo promete dobrar a oferta nas universidades com 125 mil novas oportunidades
23/01/2006 14:26
Jornal de Brasília
"Uma proposta, no mínimo audaciosa, soou como música aos ouvidos de reitores, mestres, doutores e estudantes das universidades federais de todo o País. Em reunião realizada na semana passada, o Ministério da Educação (MEC) e o governo federal prometeram dobrar o número de vagas disponíveis nas instituições de Ensino Superior federais ao longo dos próximos quatro anos. Ao todo, 125 mil vagas serão criadas pelo projeto de expansão do Ensino Superior federal. Este número supera o de vagas disponíveis nas universidades públicas. Atualmente, cerca de 123 mil alunos estudam nas 87 instituições federais do País. ""É a primeira vez em muitos anos que o Brasil presencia um projeto de expansão significativo"", ressalta Manuel Palácios, responsável pela expansão no MEC.
O plano tem o objetivo de atender, em especial, regiões sem acesso às universidades públicas, interiorizando o Ensino Superior. A idéia é levá-lo às áreas onde as faculdades e universidades particulares não têm interesse de atuar. De acordo com o cronograma de expansão do ministério, seriam criadas 30 mil vagas a cada ano, até 2010. A estimativa é de que até 2007 serão investidos R$ 591,5 milhões. Num País onde apenas 10,4% da população entre 18 e 24 anos está cursando o Ensino Superior, e as instituições privadas dominam 72% do setor, uma medida como esta ganha caráter emergencial. ""Na Europa, 90% das vagas universitárias estão nas mãos do setor público. Aqui, as particulares são responsáveis por 90% da oferta de vagas. A criação de novos campus e de novas vagas são uma dívida para com a sociedade"", justifica José Ivonildo, reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e membro da diretoria da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). carência Essa política faz parte do anteprojeto da reforma universitária.
Para efetivar as mudanças, o Ministério da Educação está construindo quatro novas universidades federais – ABC (SP), Grande Dourados (MS), Recôncavo Baiano (BA) e Pampa (RS). O plano de expansão inclui, ainda, a transformação de cinco faculdades federais em universidades. Os processos já foram iniciados. Além disso, outros 42 campus estão sendo criados ou consolidados em todas as regiões do País. Mas a proposta encontra empecilhos. ""Temos um problema grave de recursos humanos. Não houve contratações de novos professores ou técnicos para atender às novas instalações. As mudanças não podem ser efetivadas em cima de cargos já existentes. Temos déficit de professores"", adverte José Ivonildo."