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Confusão também no Enade

Depois dos transtornos nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), foi a vez de os alunos de graduação reclamarem da falta de organização do Ministério da Educação (MEC). As provas do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), realizadas ontem em 1.356 municípios do país, também foram marcadas por falhas que prejudicam não só a credibilidade do sistema de ensino brasileiro, mas também o futuro dos formandos, já que a entrega do diploma é condicionada à participação no teste.

Segundo a assessoria de imprensa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), autarquia vinculada ao MEC e responsável pelo Enem e Enade, houve um erro de processamento dos locais de prova para 16 mil inscritos, número bem superior, por exemplo, ao total de alunos que fizeram prova em Belo Horizonte: 11.307. As estudantes de pedagogia Liliane Dias Andrade, de 33 anos, Letícia Lilaça, de 29, e Juliana Aparecida Borges, de 36, foram algumas das prejudicadas.

No início da tarde de ontem, com o desespero de quem se esforçou para fazer um curso superior e agora teme não pôr as mãos no diploma, o grupo sequer conseguiu falar com o coordenador das provas na Escola Estadual Lúcio dos Santos, no Bairro Carlos Prates, na Região Noroeste, onde chegaram 20 minutos após o início da prova. Não por falta de planejamento, mas por que o cartão de inscrição, documento necessário para a prova, tinha outro endereço, o da Escola Estadual Santo Afonso, no Bairro Renascença, em outra região da cidade.

Segundo Viviane, que cursa o último ano de pedagogia na Universidade Luterana do Brasil (Ulbra), ela saiu às 4h de Braúnas, no Vale do Rio Doce, em uma van com outros estudantes que fariam o Enade em Belo Horizonte, um dos 159 municípios mineiros a sediar a prova. Às 9h, já estava no local do exame indicado em sua inscrição, com quatro horas de antecedência. Ao meio-dia, ao perceber pequena movimentação no local, os estudantes bateram no portão e o porteiro descobriu com a diretora que ali não haveria prova alguma. Ela e as outras duas estudantes tiveram pouco tempo para descobrir onde estava o problema. Juliana conseguiu falar com uma irmã, que abriu seu e-mail e viu um comunicado, enviado na sexta-feira, alertando sobre a mudança do local da prova. “Estou preocupada, sem o Enade não consigo me formar. Não tenho nem ideia do que fazer”, lamentou.

A assessoria do Inep afirma ter enviado quatro e-mails para cada um dos 16 mil afetados pela troca dos locais de prova, identificada há 10 dias. Segundo o órgão, as instituições de ensino desses alunos também receberam comunicados e o consórcio responsável pela realização das provas, a Cesgranrio, se comprometeu a colocar pessoas com informações nas escolas relacionadas, mas que não aplicariam provas. No entanto, segundo as três estudantes, a notícia de que não haveria prova na escola a que compareceram só veio depois que insistiram com o porteiro por alguma informação. O Inep afirmou que não será muito complicado provar a não participação na prova, já que o erro foi descoberto e reconhecido pelo orgão. Segundo a assessoria, deve ocorrer um avaliação desses casos para que os alunos não sejam prejudicados.


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Data: de 24/05/2012 a 25/05/2012
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